Desmitificando as Mangueiras e lavagem nos Sistemas de Ordenhas

Já abordamos esse assunto em outros textos aqui no site do MilkPoint, sobre o uso das mangueiras em Ordenhadeiras. Entretanto, percebemos em conversas, viagens, encontros técnicos, muitas duvidas recorrentes sobre esse componente, quanto a sua durabilidade e manuseio.

Ao observar atentamente uma ordenhadeira, seja ela sistema balde ao pé ou canalizada, modelos os quais a grande maioria dos produtores brasileiros utilizam, percebe-se que esses equipamentos são compostos em grande parte por mangueiras, seja as mangueiras para conectar o vácuo seja para transportar o leite, ou para água de lavagem.

Sendo assim, as mangueiras fazem parte de nosso equipamento de uso diário na ordenha e as mesmas necessitam de substituição periódica, comprimentos exatos e encaixes em diâmetros compatíveis e seu desempenho ou características variam conforme sua fabricação.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, logo devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Podemos encontrar variadas matérias primas para fabricação das mangueiras para sistema de ordenha entre elas: borracha, silicone e PVC. O mais comumente encontrado e trabalhado nos sistemas de ordenhas são mangueiras produzidas a partir do PVC devido principalmente ao custo de aquisição frente as demais matérias primas.

Entre temperaturas ambientes de 5ºC a 35ºC as mangueiras de PVC resistem bem, entretanto quando saímos destas temperaturas ou aproximamos as suas extremidades, podemos alterar sua maleabilidade e rigidez da mangueira podendo causar transtorno ou dificuldade no ato de ordenhar.

Possuímos a influência da temperatura ambiente e suas variações em decorrência a estação do ano em que estamos. Havendo períodos de calor intenso acima 35°C e períodos de frio e no Sul do país a amplitude térmica é grande e no inverno não são raros termos temperatura abaixo dos 5°C e até mesmo abaixo de 0°C.

Nos estados do Sul, principalmente no inverno o choque da temperatura, a lavagem e os produtos utilizados na mesma atacam a composição do PVC, assim alterando suas características, tornando a mangueira mais rígida, comumente chamada no sul de “mangueira dura”. Isso ocorre principalmente nas mangueiras de uso já avançado, o que gera inconveniência na hora da ordenha e até mesmo alguma dificuldade.

Mangueiras de Vácuo – devido ao ressecamento podem começar a escapar das conexões e não deixam os conjuntos alinhados. Podem apresentar trincas e vazamentos.

Mangueiras de leite – podem apresentar enrijecimento das paredes, dificuldades de alinhamento dos conjuntos, podem escapar de conexão do coletor.

Portanto as trocas das mangueiras de PVC são recomendadas a cada 6 meses de utilização, após isso, além do inconveniente citado acima que é catalisado pelo frio ou calor extremo, podem apresentar trincas e formação de biofilme interno que poderá causar transtorno na qualidade do leite.

Uma questão de grande importância é durante a ordenha e o manuseio das mangueiras, ou seja, aplicação das mesmas e o uso agressivo que elas sofrem: força interna do vácuo, passagem constante da gordura do leite, pisoes dos animais, desgaste por arrasto em superfícies abrasivas, flexões exacerbadas, amplitudes de temperatura do ambiente, choques térmicos na lavagem, produtos químicos na lavagem e muitas vezes à própria água utilizada após ordenha na lavagem leva a desgastes precoces dos componentes das mangueiras.

Para melhor entendimento adotamos a rotina de trabalho abaixo;

No processo diário de ordenha:

1. Sanitização do sistema de ordenha (Temperatura Água 35 a 40 ° C)

2. Ordenha propriamente dita (Leite na faixa de 37°C de temperatura)

3. Pré enxague (Temperatura Água entre 35 a 40°C)

4. Lavagem Alcalina (Varia conforme o fabricante do detergente em via de regra entre 76 a 80°C)

5. Enxague (Geralmente temperatura ambiente)

6. Lavagem ácida (temperatura em torno de 40°C, mas varia conforme o tipo de detergente ácido)

7. Pós enxague ou não, depende da estratégia da fazenda (Temperatura ambiente ou 35 a 40°C).

Em nosso trabalho diário de uso das mangueiras há um componente que por vezes é negligenciado, que é água utilizada no processo de ordenha. Na atividade leiteira, a quantidade e a qualidade da água são fundamentais para suprir as necessidades de consumo do homem e dos animais, além da limpeza e desinfecção das instalações e equipamentos visando garantir a saúde humana e animal necessária para a produção de leite. Infelizmente a qualidade da água por vezes não tem sido considerada quando se deseja desenvolver a atividade leiteira ou produzir leite de melhor qualidade.

 Há vários aspectos a monitorar na qualidade da água na produção de leite, entretanto vamos permanecer nos aspectos físico-químicos da água sem adentrar na questão microbiológica da agua de extrema importância também.

Porque a qualidade física – química da água afeta a qualidade do leite?

Por reduzir principalmente a eficiência dos processos de limpeza e desinfecção tanto dos utensílios, equipamentos de ordenha e tanques resfriadores, com isso diminuindo a vida útil de alguns componentes dos equipamentos.

O exame físico químico da água deve incluir obrigatoriamente, a análise de turbidez, cor, PH, sólidos totais dissolvidos, dureza, ferro, manganês, sulfatos, nitrogênio amoniacal e nitroso.

Tabela – 1

ParâmetroLimiteObservação
Cor15 uHPresença de ferro e manganês
Turbidez5 mg/LOcorrência de chuvas pesadas
Sabor e odor =Alterada quando salobra e contaminada por algas
AcidezInfluenciada pelo tipo de contaminação e poluição do ambiente – ácidos minerais
Alcalinidade10 a 50 mg/LPresença de bicarbonatos, silicatos, fosfatos, hidróxidos e boratos
Nitrato e nitritos10 mg/LDecomposição da MO ou lançamento de adubos nitrogenados
Sílica2 a 100 mg/LFormam depósitos nas tubulações de água quando são aquecidas
Ferro e manganês100 mg/LGosto amargo, cor amarela e turva
Sólidos totais dissolvidos250 mg/LResponsável por efeitos laxativos e pelo gosto desagradável
Dureza total10 a 200 mg/LCausada pelos íons de cálcio e magnésio
Substância químicas indesejáveis e metaisA estudarAgrotóxicos, antibióticos, ivermectinas, hormônio, inseticidas, fungicidas e metais pesados

Fonte: adaptado de Viana, 2008.

As características físicas química da água de relevância aos processos de limpeza, desinfecção e vida útil dos componentes da ordenha são a dureza e o PH.

A dureza da água é caracterizada pela capacidade de neutralizar e precipitar sabões – sendo calculada a partir da soma concentrações de íons cálcio e magnésio na água como equivalentes de carbonatos de cálcio (CaCo3), expressos em ppm ou em mg/litro conforme verificamos na tabela 2 abaixo. Estes sais formam a chamada “pedra de leite”, sendo necessário para sua eliminação o uso de detergentes ácidos em maior frequência e concentração.

Tabela – 2 Classificação da dureza da água 
< 100 ppmMole
Até 270 ppmSemi dura
< 360 ppmDura
>470 ppmMuito Dura

Há uma reação entre os compostos do detergente e os íons cálcio e magnésio presentes na água dura que produz precipitados insolúveis, o detergente acaba, por conseguinte apresentando ação reduzida e menor capacidade de formar espuma, não atingindo o PH ideal da solução de limpeza. Portanto, diminuindo a vida útil de vários componentes da ordenha com eventual dificuldade ou impedindo de manusear válvulas, agredindo as mangueiras até mesmo danificando os aquecedores de água. O ciclo de limpeza deve atender a especificações quanto à temperatura, tempo, turbulência e concentração de detergentes.

O PH da água pode ser influenciado em função da passagem das águas da chuva sobre os tipos de rochas presentes no solo de uma determinada região incorporando os sais dissolvidos a ela assim conferindo o PH correspondente.

Águas naturais que contém ácidos minerais, ácidos orgânicos e CO2 são ácidas as águas naturais que contém bicarbonatos, silicatos, fosfatos, hidróxidos, boratos são alcalinas, não obstante o PH das águas poderá ser influenciado pelo tipo de contaminação do ambiente. Águas ácidas, além de promoveram corrosão de equipamentos, neutralizam detergentes alcalinos dificultando o estabelecimento do PH ideal nos procedimentos de limpeza.

Sendo assim, conhecer a qualidade da água ao menos no contexto aqui descrito físico-químico é muito importante pois a dureza da água é um fator a se considerar conforme Pedraza 1998, água semidura, dura ou muito dura diminuem significativamente a eficiência da limpeza nos sistemas de ordenhas quando os detergentes não incluem abrandadores na proporção adequada.

Portanto, possuímos reflexos negativos na produção com a utilização de águas duras na limpeza aumentando os custos dessa operação devidos aumentos da frequência e ou dosagem do detergente, trocas precoces de componentes e busca de novas estratégias e fórmulas capazes de neutralizar os efeitos da dureza.

Consulte sempre seu técnico de ordenha sobre o desempenho da sua ordenha e componentes para que analisem novas estratégias e novos produtos quanto a sua aplicação, custo e resistência.

Boa Lactação!!!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Estratégias na Lactação

A produção leiteira está sempre impondo desafios em vários aspectos, o que faz o profissional e produtor de leite permanecer em uma busca diária de alternativas e tecnologias que o auxiliem no seu trabalho.

Os profissionais envolvidos nessa atividade buscam sempre entregar o melhor serviço e estão sempre em busca de novas soluções, promovendo a introdução de novos conceitos e tratamentos, sendo um deles entre tantos a aplicação de ozônio como método de tratamento da mastite bovina.

Ozônio é um gás encontrado naturalmente na estratosfera, ele forma uma camada que envolve a atmosfera terrestre bloqueando a passagem da radiação solar para terra.

Esta camada de ozônio está localizada em uma faixa entre 15 a 55 km acima da superfície terrestre. O ozônio (O3) foi detectado pela primeira vez em 1785 pelo físico alemão Martinus Von Marum. E em 1857 o engenheiro Werner Von Siemens desenvolveu a primeira unidade geradora de ozônio. Com isso foi possível realizar os primeiros testes bacteriológicos sobre microrganismo e a primeira insuflação de gás em animais e humanos em 1873 e se descobriu a capacidade desse gás para eliminar microrganismos.

Na medicina foi durante a I Guerra Mundial que o Dr. Albert Wolf utilizou ozônio para tratamento de feridas e fistulas. Após isso o ozônio perde sua relevância devido à ausência de dispositivos adequados para aplicação e o advento dos antibióticos, penicilina e sulfamidas, entretanto no inicio da década de 60 retorna o uso e com advento do plástico novas formas de aplicação e um novo modelo de gerador de ozônio é lançado.

Em 1986 na universidade de Marbug é realizado os primeiros estudos em animais abrindo uma nova fase para ozônio terapia. A mesma é utilizada nos últimos 35 anos por diversos países, aumentando os estudos e conhecimentos sobre seu efeito farmacológico para serem utilizados tanto em animais como em humanos.

Esse pequeno histórico é para se conhecer um pouco mais da ozônio terapia e seu potencial de uso na veterinária principalmente no problema que representa uma perda significativa de valor econômico na pecuária leiteira, a mastite bovina que é impactada por todo o procedimento para tratamento do animal e seus desdobramentos

O uso da ozônio terapia se mostrou eficiente na mastite por deixar o leite livre de resíduos durante a terapia, na inflamação do úbere e na recuperação dos animais como tratamento de eleição ou coadjuvante ao tratamento convencional, sendo eficaz e segura alternativa de tratamento não sendo observados efeitos negativos durante aplicação de ozônio intramamario em vacas leiteiras.

De certa maneira a mastite está presente em 100% das fazendas sendo muito importante seu monitoramento e pronta recuperação do animal para minimizar as perdas de produção e econômica. A importância do monitoramento da condição de uso do sistema de ordenha é fundamental para o controle da mastite. É preciso observar sempre a capacidade do equipamento quanto aos seus níveis de vácuo e adaptação dos conjuntos de ordenha. Controlar a utilização e substituição das partes de borracha, em especial as teteiras que possuem vida útil pré-determinada e a integridade e comprimento das mangueiras, tanto de leite como de vácuo para melhor desempenho do equipamento minimizando os efeitos negativos da ordenha.

Devemos estar sempre vigilantes, entretanto com estratégias definidas e aplicadas. Devemos contar com bom assessoramento veterinário e técnico para o sistema de ordenha auxiliando no alcance dos objetivos e numa lactação sem imprevistos.

Boa lactação!

 Por Lissandro Stefanello Mioso, Consultor Técnico/Comercial, Médico Veterinário

Bibliografia:

Ozônio Terapia em Medicina Veterinária; autora: Phd. DMV. Zullit B. Zamora Rodrigues;

Colaboradores: DMVZ. Eduardo Fleitas Gonzalez

                             PhD. Oscar E Ledea Lozano

                              Dr. Sc. Wilfredo Irrazabal Urruchi

A Importância da troca das teteiras!

Escutamos muitos relatos de técnicos de ordenha e produtores de leite que tiveram que mudar suas teteiras devido a contratempos na ordenha, com os animais e na qualidade do leite, ou seja, devido a algo fora do normal.
Contudo essa decisão pode se mostrar errada se não avaliamos o conjunto todo da obra, se formos imediatistas faremos uma solução passageira em relação a algum problema oculto no sistema da fazenda.
Devido a facilidade de efetuar as trocas das teteiras e suas características de trocas periódicas, geralmente são as primeiras a serem acusadas de problemas e trocadas pelo simples fato de não alterarem em nada, a rotina da fazenda de leite.

Vamos analisar alguns mitos e razões que levam uma fazenda a trocarem suas teteiras:

• Aumento na Contagem de Células Somáticas (CCS):

É uma das razões mais comuns que levam o produtor a trocar as teteiras e em muitas vezes não são elas as principais culpadas pela alta da CCS.
O aumento de CCS (contagem de células somáticas) pode vir de vários lugares da fazenda e por isso a importância de se investigar profundamente o que pode estar ocorrendo de fato. Deve-se verificar, por exemplo, como as vacas chegam na ordenha (limpas ou sujas), as camas sujas no free-stall, a compostagem nos sistemas de compost-barn, as técnicas de manejo pobres. Essas e muitas outras razões diferentes podem vir a causar aumento na CCS.

O design e a função da teteira são raramente culpados por uma CCS alta, nessas situações com o índice de CCS alto o recomendável é chamar um técnico de ordenha e consultor de qualidade do leite experiente para diagnosticar o problema corretamente.

• Deslizamentos e ruídos altos:

Outro fator relatado frequentemente pelos produtores e ordenhadores são os deslizamentos e ruídos que diminuem com tempo de uso da teteira. O que geralmente ocorre nesses casos está relacionado há um baixo vácuo no coletor durante o pico do leite, alinhamento deficiente da unidade de ordenha, restrições no caminho do leite, loops (voltas) na mangueira do leite, má preparação ou estimulo pré-ordenha e sobre ordenha ao final da mesma.

• Ordenha não uniforme:

Outro relato muito escutado é a alegação para trocar as teteiras devido a ordenha não ser uniforme em todas as vacas, sendo que a primeira atitude a se tomar no fosso da sala de ordenha é assegurar que os conjuntos de ordenha estejam bem alinhados com suas mangueiras sem restrições. O bom alinhamento do conjunto de ordenha é fundamental para se ordenhar rápido, suave e completo. Para um bom alinhamento os dispositivos deverão estar regulados e mantidos em bom funcionamento para resultar numa ordenha tranquila e completa.

Quanto aos tipos de teteiras em relação ao seu desenho vamos ver aqui nesse texto alguns tipos e detalhes dos modelos de teteiras e verificar suas características para entender melhor seu funcionamento e ser a razão de escolha.
Hoje escutamos muito sobre utilizar ou não uma teteira ventilada, utilizar ou não um formato diferente seja triangular, quadrada ou redonda. Vamos tentar entender um pouco mais das diferenças entre elas para que possa ter subsidio para eleger um modelo baseado em conhecimento da utilização e não em ganho de vantagem.

Teteira ventiladas:

Ultimamente escutamos frequentemente os produtores perguntando sobre a necessidade ou não desse tipo de teteira?

A ventilação se faz necessária para haver uma diferença de pressão e o sistema de ordenha conseguir fazer com que o leite siga em direção oposta ao teto do animal ou seja, afastar o leite retirado da vaca o mais rápido possível.

As ventilações podem ser no coletor de leite, no tubo curto do leite da teteira ou no bocal da teteira, sempre no mesmo intuito de criar o diferencial de pressão para o leite seguir o caminho oposto da vaca de uma maneira rápida. Uma ventilação no tubo curto do leite da teteira, por exemplo, auxiliará no afastamento do leite da ponta de teto o mais rápido possível.

A ventilação perto da porção final do teto auxilia na prevenção do refluxo do leite atingir o teto, há alguns desenhos de ventil na teteira que auxiliam a não obstrução do fluxo do ar se sujidades vierem e se depositar no local.

A última novidade da indústria de teteiras para equipamentos de ordenha foi de afirmar que para ordenhar uma vaca gentilmente a mesma deveria ser ventilada no bocal, entretanto há várias maneiras de realizar uma ordenha suave.

Por exemplo umas das definições de ordenha suave é expor o teto ao vácuo por um curto período de tempo possível, tendo o sistema de ordenha regulado e ordenhador experiente podemos atingir tais objetivos com qualquer projeto de teteira.

Projeto da Teteira:

Toda a suavidade de ordenha passa pelo desenho da teteira que deverá respeitar anatomia do teto, vejamos os tipos existentes de desenhos para comercialização:
Teteiras Redondas, triangulares, quadradas e semicircular conforme os desenhos abaixo

Todos os desenhos acima possuem alguma diferença entre si, mas para tanto todos tem o mesmo fim, que é de ordenhar o animal de uma maneira gentil, suave e completa.

Cada desenho apresenta um benefício, por exemplo:

Teteiras de desenho redondo selam melhor o corpo de teto evitando grandes quantidades de ar em torno do mesmo. Teteiras ventiladas no bocal, de desenhos quadrados e triangulares, auxiliam a redução de formação de anéis nos tetos. Já a formação de anel em teteiras de desenho redondo é indicativo de sobre ordenha.

A medida que a teteira perde a capacidade de selar o entorno do teto, o vácuo no bocal aumenta, por isso a importância em retirar as unidades de ordenha no tempo certo e relembrando, ordenhar suave é deixar o teto o menor tempo possível exposto ao vácuo.

Sugestão de gestão das teteiras:

A dica seria verificar a real necessidade de troca de modelo de teteira e averiguar seus resultados com isso:

– Aumentar a taxa de fluxo na ordenha;

– Diminuir o tempo de ordenha;

– Expor o teto ao menor tempo possível ao vácuo;

Havendo a real necessidade de trocar, investigar bem qual o estilo de teteira que realmente poderá fazer a diferença no rebanho em questão. Entretanto, para que se melhore o desempenho da ordenha, necessitamos mais coisas do que simplesmente trocar de teteira.

É muito importante para o manejo da ordenha:

– Bom projeto da sala de ordenha;
– Fluxo adequado dos animais na sala de ordenha;
– Equipamento de ordenha dimensionado e regulado;
– Pulsadores aferidos;
– Ordenhadores hábeis;
– Remover os conjuntos de ordenha no tempo certo;
– Sempre optar pela teteira que melhor se adapta com o manejo da fazenda;

O que precisamos fazer para as nossas vacas é praticar uma ordenha homogênea e consistente todos os dias, para o bem-estar dos animais e como gerentes, observar o desempenho e realizar ajustes quando necessário para manter o mesmo.

Cálculo de trocas:

Exemplo: Numa propriedade com 35 animais em lactação que realiza 2 ordenhas diárias em um equipamento de ordenha com 3 conjuntos de ordenha:

Fórmula teteira de borracha: 2500/(axb/c) 2500/(35×2/3) = 107 (conforme figura abaixo)

Sendo assim para assegurar que a teteira vai responder adequadamente e manter sua performance devemos trocar a cada 107 dias. Durante esse período com esse cenário teremos realizados 2.500 ordenhas em cada conjunto de ordenha.

No mesmo exemplo utilizando teteira de silicone a formula a utilizar seria: 5000/(35×2/3)= 180

Esse valor seria correspondente a 180 dias ou seja 5.000 ordenhas realizados por conjuntos.

Para facilitar, utilize a nossa calculadora de trocas, disponível no nosso site (https://www.inabor.com.br/calc/) que é gratuita ao produtor.

Portanto, para concluir reforço a necessidade das fazendas em ajustar seu manejo de teteira conforme sua vida útil pois assim independentemente do tipo de desenho da mesma as performances de ordenha estarão asseguradas.

Por Lissandro Stefanello Mioso, Médico Veterinário – CRMV 8754/ Consultor Técnico Inabor

Tipos de Teteiras: características, funcionamento e indicações.

Entramos no mês de Abril e para esse mês resolvemos relembrar um pouco mais dos variados modelos de teteiras que existem, suas características, funcionamento e indicações. As vezes olhamos os inúmeros modelos e desenhos, sem saber efetivamente o que cada um entrega de vantagem na ordenha e em nossos animais.

Além disso, trataremos um pouco sobre o material de fabricação da teteira como, o silicone, a borracha e suas peculiaridades.

Para que possamos ter um bom entendimento sobre as teteiras primeiramente devemos observar os tetos ou conjunto mamário do animal a serem ordenhados. Se tratando de um ser vivo, é difícil haver uma padronização de 100% no tipo de tetos podendo haver uma variedade de conformação, entretanto, com avanço do melhoramento genético podemos constituir um rebanho com características muito próximas que auxiliarão na performance da ordenha.

Há estudos no Brasil que identificaram os tipos de tetos e posição de úberes de animais em ordenha no Brasil vejamos abaixo um dos estudos (Rubim 2011);

Podemos ver no estudo (Rubim 2011) 6 tipos diferentes de anatomia no teto dos animais (vacas), para cada anatomia teria uma indicação de teteira o que operacionalmente se tornaria inviável a operação de ordenha.

Seguindo o mesmo estudo (Rubim 2011) nos demonstra a distribuição de inserção do úbere, que foram classificados em oito tipos diferentes;

a) Típico para ordenha

b) Úbere abdominal

c) Abdominocoxal

d) Úbere coxal

e) Úbere esférico

f) Úbere escada

g) Úbere triangular

h) Úbere juvenil

Sendo assim, as teteiras e coletores de leite devem possuir um desempenho bom nesse terreno com diferentes desafios, sempre buscando maximizar o uso de um design para melhor aproveitamento em todo rebanho.

Teteiras e suas características:

Teteiras com cabeça redonda: são indicadas para tetos grossos e grandes e com paredes do úbere irregular.

 

Teteiras com cabeça semi-arredondadas: com indicação mais intermediaria entre tetos grandes e médios.

 

Teteiras com cabeça plana: é o desenho mais utilizado por se adaptar em quase todos os tipos de tetos e úberes.

 

Teteiras com cabeça rasa: indicada para tetos pequenos.

Quando analisamos o produto teteira como um todo a parte descrita anteriormente também chamada de “cabeça da teteira” é uma das partes de contato direto com a pele do animal e é responsável pela estabilidade da teteira no teto, por isso essa variedade de desenhos. Quando olharmos o formato do corpo da teteira existem hoje sendo utilizados o modelo clássico redondo e os novos modelos triangular e quadrado.

Quanto ao funcionamento todos tem o mesmo intuito de espremer e descansar a porção final do teto para que possamos extrair o leite do úbere. Entretanto, podem possuir diferenças de configurações, ou seja, utilizar dispositivo (capa ou copo metálico) próprio, por exemplo.

As teteiras de formato redondo trabalham desta forma como na imagem ao lado, espremendo o teto por completo. Dispositivo redondo.

 

As teteiras de formato triangular trabalham desta forma como na imagem ao lado, tendo três partes espremendo o teto, e necessitam de dispositivo exclusivo para sua fixação caso contrário poderá ficar torcida durante a ordenha.

 

As teteiras de formato quadrado trabalham desta forma como na imagem ao lado, se assemelhando em muito com o funcionamento das teteiras redonda espremendo o teto como um todo.

 

Para obtermos uma performance satisfatória após a escolha do tipo de teteira o conjunto inteiro de ordenha deve ser bem configurado, com coletor de boa vazão, mangueiras no comprimento correto e sistema de pulsação aferido, além de todo restante do sistema de ordenha estar regulado, por isso, a importância do trabalho sincronizado e harmônico entre o técnico do equipamento de ordenha e o técnico da fazenda.  Além disso é muito importante a implantação das rotinas de ordenha para poder avaliar o desempenho das sessões de ordenha.

Outra parte de extrema importância e por muitas vezes razões de corte na parte de encaixe da teteira é o entendimento da forma de encaixar a teteira no niple do coletor. As teteiras possuem um reforço próximo ao encaixe e a mesma pode ter variadas formas, entretanto com o mesmo intuito de reforço para evitar corte ou rasgo quando comprimida contra a parede do niple.

Possuímos diferentes desenhos de reforço em anel, laminados, reforço simples conforme abaixo, mas com a mesma funcionalidade para todos.

forma de anel

 

forma de lâminas

 

forma lisa

 

desenho exclusivo

 

desenho exclusivo para coletor de encaixe sem niple.

 

Quanto ao encaixe do coletor podem ser conforme as figuras abaixo, na esquerda o coletor sem niple de encaixe, que requer a teteira especifica e ao lado coletor com niple para encaixe.

No caso dos coletores com niples de encaixe possuímos ainda a variação de serem retos, oblíquos com dobra e obliquo sem dobra. Esse ponto é considerado crítico pois os niples dependendo do que ocorrer podem avariar a teteira. Outro ponto extremamente importante é saber o diâmetro externo dos niples para saber o diâmetro correto de encaixe da teteira, que sempre informa o diâmetro interno. Por exemplo uma teteira encaixe 8 milímetros será indicada ao coletor com niple externo de 11 milimetros no máximo e assim por diante. O diâmetro do niple dos coletores sempre deve ser maior que o diâmetro de encaixe das teteiras, entretanto não mais que 3 milímetros senão estaremos forçando e vindo com tempo a rasgar o encaixe da teteira.

Niple reto

 

Niple obliquo com dobra

 

Quanto aos dispositivos devemos ter atenção ao anel de fixação de teteira no dispositivo (capa ou copo metálico) também seguindo a regra do anel da teteira ser maior que orifício do dispositivo, assim como o comprimento do dispositivo e teteira. A teteira poderá estirar entre 5 a 16 % de seu comprimento para seu bom funcionamento no dispositivo.

Dispositivos longos

 

Dispositivo curto

 

Dispositivo Westfalia

 

Orifícios de encaixe do anel de fixação da teteira.

Já quanto aos materiais podemos produzir as teteiras em borracha que é a matéria prima mais utilizada no mundo, entretanto essa mesma possui um período de funcionamento indicado onde manterá sua performance. Trabalhar acima da vida útil da teteira poderá acarretar uma série de transtornos como queda de rendimento. Sua performance fica assegurada até 2500 ordenhas, 6 meses ou 833 horas. Sempre sugerimos utilizar números de ordenhas que pode ser calculado através da fórmula (2500/(AxB/C) onde A = número de vacas por dia, B = numero de ordenha por dia e C = número de unidades de ordenha e os 2500 o total da duração, ou verificar a tabela que acompanha as teteiras na embalagem da Inabor ou ainda acessar o site www.inabor.com.br e utilizar da calculadora de troca que está disponível nele para realizar a programação de troca de teteiras.

Quando optamos pelo silicone que é um material mais nobre, temos uma resistência térmica maior que a borracha, resistência aos produtos químicos como clorados e a vida útil da teteira  é mais prolongada. Também utilizando a mesma lógica do cálculo de borracha, entretanto, com vida útil de 5000 ordenhas, 12 meses ou 1666 horas de ordenha. Porém, vale frisar que a resistência mecânica do silicone, impacto, é menor que a borracha e por isso que quando optarmos por silicone devemos possuir uma rotina de ordenha bem implementada para que não ocorra contratempos como corte na teteira por queda ou retirada brusca do conjunto de ordenha. Vale lembrar que o custo dos jogos de silicone é superior aos de borrachas.

Contudo retorno a frisar a importância da implementação de um bom programa de rotina de ordenha como forma de acompanhamento de desempenho da ordenha além de manter um bom entrosamento com o técnico ou empresa que presta assistência no equipamento de ordenha e possuir acompanhamento veterinário para certificar que as operações estão dentro do planejado pela granja leiteira.

Excelente Lactação a todas fazendas.

Lissandro Stefanello Mioso