Interação Sistema de Ordenha com o Complexo Mamário e Consequências

Nesse texto vamos abordar os efeitos da ordenha no complexo mamário e o que pode ocorrer ao animal com uma rotina de ordenha inconsistente e um equipamento de ordenha não adequado.

Sabemos que o ato de ordenhar um animal seja ele manual, mecânico ou até mesmo a mamada de um bezerro /terneiro pode comprometer o estado de integridade da pele nas pontas dos tetos, fenômeno que ocorre também em vacas de corte tendo maior importância econômica nas vacas de leite por sua rotina diária.

Na pecuária de leite uma das atividades recorrentes é ordenha dos animais com ordenhadeiras mecânicas, onde há o acoplamento do equipamento ao animal através dos conjuntos de ordenha, e nesse conjunto se encontra uma das peças em contato com o teto (teteira) que transfere toda pressão de trabalho do equipamento de ordenha ao teto para a retirada do leite.

Portanto essa ação do equipamento no teto deverá ser monitorada e regulada por técnicos profissionais em sistemas de ordenhas, para se minimizar os efeitos sobre o complexo mamário e promover melhor saúde do úbere ao nosso plantel.

Uma das consequências em não observar a aplicação de uma rotina consistente de ordenha e manutenção do equipamento de acordo com sua funcionalidade, são lesões nos tetos, ao qual nos levam ao comprometimento da qualidade do leite e bem-estar dos animais.

O nosso desafio diário é de manter a saúde do úbere e se manter alerta a qualidade das pontas de teto, não havendo esse cuidado os riscos de problemas relacionados ao teto aumentam muito, principalmente casos de Hiperqueratose.

Mas o que é Hiperqueratose?

A ponta do teto é a primeira defesa do úbere contra a invasão de microrganismos causadores de mastite, estar atento às boas condições dos tetos é essencial para evitar que o problema da mastite se agrave na propriedade. Por ser a barreira primaria fica claro que quando ocorrem alterações na pele dos tetos existe o risco do aumento de novas infecções.

Sendo assim a hiperqueratose da ponta dos tetos das vacas, nada mais é que o aumento exacerbado da pele que recobre a região do canal do teto e orifício externo. Exames histológicos de pele desta região revelam que a hiperqueratose é resultado de uma hiperplasia (nº de células aumentada) do extrato córneo das camadas da pele.  A hiperqueratose é chamada muitas vezes no campo de: calos, calosidade, cornificação, entretanto, chamar a mesma de inversão ou prolapso não é correto.

A ocorrência de hiperqueratose dos tetos é mais comum em rebanhos de altas produções, por possuir um desafio de ordenha maior devido ao tempo individual de ordenha por vaca. O início e a gravidade dessa condição nos tetos são afetados pelo clima, ambiente, manejo, equipamento de ordenha e genética.

Vacas que apresentarem tetos irregulares, mal posicionado ou tamanho inadequado para ordenha mecânica, são mais suscetíveis ao surgimento de casos de hiperqueratose, independente de máquina de ordenha ou manejo. Sendo que a hiperqueratose não é um evento instantâneo e sim a longo prazo entre duas (02) a oito (08) semanas.

Quanto a alterações provocadas pelo equipamento de ordenha:

As alterações relacionadas ao equipamento de ordenha, deverá se associar toda rotina na sala de ordenha e possuir uma visão holística devido a que a interação das ações possa ser a razão do problema.

O texto “Rotina de Ordenha: A Chave Da Qualidade Do Leite” que está no site da MilkPoint traz sugestões de como proceder para possuir uma rotina consistente. O texto ”Volume de Vácuo no Coletor de Leite em Sistemas de Ordenhas e o Efeito na Vaca” que também está no site nos traz informações sobre o que ocorre durante a ordenha. Se encontrará também informações sobre os tipos de teteiras, forma e tempo de uso das mesmas no texto “Tipos de Teteiras”.

Nesse quesito é importante o auxilio de um bom técnico de ordenha para ajuste do equipamento de ordenha caso necessário, de forma sucinta relaciono as situações que devem ser monitoradas para solução do problema ou minimização do problema.

Sendo apontada como uma das causas principais do aparecimento de situações de alteração dos tetos, o equipamento de ordenha deve ser monitorado diariamente pelos ordenhadores e revisado continuamente dentro de prazos prescritos pelos fabricantes, por técnico habilitados para serviço de regulagem e manutenção do equipamento de ordenha.

Um dos grandes vilões apontados para essa situação precária de saúde de ponta dos tetos é o nível alto de vácuo nos sistemas de ordenha. De forma simplista poderá ser a chave, entretanto devemos investigar e averiguar o sistema e o manejo para que possamos chegar as conclusões e aplicar as mudanças necessárias para enfrentar o problema.

Hoje possuímos níveis de vácuo orientativos para os sistemas de ordenha. Por exemplo em um sistema de linha média, o nível de vácuo é entre 47 a 50 Kpa. Numa linha baixa o nível de vácuo poderá ser entre 40 a 42 Kpa. Esses valores como regra geral servem para todos equipamentos de ordenha, mas dependendo do nível de produção, rotinas de ordenha, morfologia do úbere e tipos de teteiras poderá demandar uma necessidade de ajuste dos níveis orientativos de vácuo para conseguir uma melhor performance de ordenha e saúde do úbere.

O nível de vácuo do sistema de ordenha não determina a velocidade de ordenha, para que tenhamos um fluxo de leite satisfatório devemos possuir equilíbrio entre o nível de vácuo do coletor de leite com o tipo de teteira que utilizamos. Entretanto para verificar o bom funcionamento devemos averiguar o sistema de ordenha num todo, a começar pela bomba de vácuo terminando na ponta do teto do animal.

Podemos ter vácuo alto por falta de atuação do “regulador de vácuo” ou por ajuste errôneo do equipamento de ordenha.

Entretanto causas mais comuns de nível alto estão no início e fim da ordenha;

Início da Ordenha: é sabido que a vaca deverá estar preparada e estimulada para que possa liberar ocitocina (hormônio ejeção do leite) e assim dar inicio a ordenha propriamente dita, entretanto, um fenômeno recorrente em muitas fazendas é o que chamamos de Bi modalidade ou sobre ordenha do início do leite.

O acoplamento dos conjuntos de ordenha (Teteiras) a vaca se dá antes de um tempo mínimo para ação fisiológica da vaca em descer o leite, fazendo com que tenhamos vácuo em excesso e pouco fluxo de leite forçando o canal do teto. A bi modalidade pode ser evitada ou minimizada com boa preparação do animal para ordenha.

Fim da Ordenha: se dá de maneira inversa, ou seja, o fluxo de leite cessa ou diminui, mas o conjunto de ordenha não é removido do animal assim permanecendo o vácuo atuando sobre o tecido mamário forçando o canal do teto.

Esses são dois casos de operação, manejo dos animais na sala de ordenha. A sobre ordenha ao final pode ser minimizada com a utilização dos ACR (extratores automáticos de teteiras) desde que os mesmos estejam devidamente regulados para operarem.

Em relação aos componentes, os Pulsadores são responsáveis por realizar o movimento cíclico da parede da teteira definindo as etapas de ordenha (fluxo de leite) e massagem (sem fluxo de leite) e manter a circulação sanguínea ao redor do teto.

Fase de Ordenha (fase do leite): nessa fase as paredes internas da teteira estão bem separadas, abertas, sendo o momento real da ordenha com fluxo de leite no interior da teteira até o coletor de leite.

Fase de Massagem (sem leite): nessa fase se caracteriza pelo contato das paredes das teteiras com o teto, ou seja, fechadas, essa fase tem por finalidade promover a circulação sanguínea e linfática do teto durante a ordenha, para minimizar os efeitos do vácuo necessário para realizar a ordenha.

Os pulsadores podem e devem ser avaliados continuamente com utilização de aparelhos específicos para sua verificação, são os chamados de Pulsógrafos. Com esse equipamento conseguimos realizar as medições, variações de vácuo na câmara de vácuo da capa metálica, ou seja, o espaço deixado entre a teteira e a capa metálica quando montada, os níveis máximo, mínimo e médio na câmara, essa variação cíclica do vácuo está dividia em quatro (04) fases para melhor compreensão.

Fases são divididas em A, B, C e D sendo que as fases A e B corresponde a ordenha, com fluxo de leite, enquanto que as fases C e D correspondem a fase da massagem no fechamento da teteira.

Teteiras: deverão esvaziar o úbere de leite sem causar danos ou efeitos traumáticos aos tetos, para seu correto funcionamento depende de três (03) fatores:

· Funcionamento do sistema de pulsação

· Nível de vácuo do sistema de ordenha

· Características da teteira (material, espessura, elasticidade e design)

A fato mais desafiador é que as vacas possuem características morfológicas diferente de úbere e tetos e diferentes níveis de produção e fluxo de leite. Portanto, as fazendas devem adaptar uma teteira pelo padrão médio do rebanho e pelas características técnicas do sistema de ordenha, pois, chegar a um modelo de teteira perfeito é algo muito difícil pela diversidade que encontramos no rebanho.

Sendo assim para que possamos analisar uma teteira a mesma deve cumprir quatro (04) requisitos básicos;

· Que a teteira se feche hermeticamente em ambos lados da capa metálica

· Utilizar teteira com bocal da câmara de vácuo adequado ao tipo de teto para minimizar quedas e deslizamento de teteira

· Ordenhe rápido, suave e completo minimizando congestão, edema e lesões ao teto

· Deve se lavar e desinfetar facilmente

Contudo, o acompanhamento do equipamento de ordenha se faz tão importante quanto acompanhamento nutricional, sanitário ou reprodutivo do rebanho. Pode comprometer todo o trabalho por não ter um plano de manutenção do equipamento de ordenha e acompanhamento profissional.

As lesões na ponta de teto podem aumentar em até sete (07) vezes a ocorrência de mastite no rebanho, por isso cuidados para manter a saúde de teto das vacas são imprescindíveis para o controle da mastite na fazenda.

Uma dica é visualizar o aspecto dos tetos sempre antes e depois da ordenha, lembrar que hiperqueratose não é instantânea, se desenvolve a médio e longo prazo, verificar especialmente as pontas dos tetos, se as mesmas estiverem saudáveis é um forte indicativo que temos um bom funcionamento do equipamento de ordenha e das teteiras.

Excelente Lactação!

Por Lissandro Stefanello Mioso, Médico Veterinário – CRMV-RS 8457 e Consultor Técnico

 

Bibliografia:

 

Site MilkPoint – autor Marcos Veiga dos Santos (Hiperqueratose dos tetos e sua influência na mastite – Parte 1 e Parte 2).

Site Folha Agrícola – autor Patrícia Maia (A integridade da ponta de teto de vacas leiteiras impacta na ocorrência de mastite).

Site Agron – autor Equipe Agron (Entenda um pouco sobre Hiperqueratose).

Site Comprerural – autor Thamara Mendonça (Hiperqueratose problema pode ser facilmente resolvido).

Manuais técnicos de Funcionamento da teteira – autor departamento técnico Inabor (manual de funcionamento e normas técnicas para funcionamento do sistema de ordenha)

Imagem Google.

Mangueira para Sistema de Ordenha

As mangueiras são componentes fundamentais para o funcionamento do sistema de ordenha, conectando os diversos componentes entre si, por isso é importante a manutenção das mesmas integras e dentro do prazo de utilização.

As mangueiras de leite são responsáveis por fazer a ligação dos coletores ao sistema de ordenha, seja ele, balde ao pé, transferidor ou canalizada transportando o leite ordenhado do animal. Dentre as mangueiras também existem as de vácuo (ar), que conectam o sistema de vácuo a algum componente.

Mangueira para Vácuo:

Mangueira grossa ou principal do vácuo no sistema balde ao pé: responsável por alimentar de vácuo o latão/tarro para criar vácuo no mesmo e ativar a pulsação e iniciar a ordenha. O diâmetro interno se torna padrão em quase todas as marcas de equipamentos sendo uma mangueira 11.95 mm de diâmetro interno.

Mangueira dupla do vácuo: responsável por carrear o pulso do pulsador as teteiras, essa mangueira é comum a todos os sistemas de ordenhas. Os pulsadores alternados importados ou nacionais trabalham com o mesmo diâmetro 7.2 mm interno e dessa forma é extremamente importante atentar para os comprimentos das mangueiras, se as mesmas estiverem maiores de 3 metros irão prejudicar o desempenho da pulsação e consequentemente a ordenha no animal.

Mangueira de pulsação simultânea: é utilizada em sistemas de pulsação simultânea, ou seja, que ordenham os quatro tetos juntos, é importante atentar que essa mangueira possui 9,5 mm de diâmetro interno para acoplar o pulsador diferente das mangueiras finas utilizadas para fazer mangueiras curtas do vácuo que veremos a seguir.

Mangueira fina do vácuo/curta do vácuo: são as mangueiras que conectam as capas das teteiras ao distribuidor de vácuo do coletor levando o pulso para abertura e fechamento da teteira durante a ordenha. O diâmetro dessa mangueira é de 7.2 mm, similar a dupla do vácuo, sendo indicado utilizar uma mangueira termoplástica que não resseque escapando da capa metálica prejudicando a ordenha.

As mangueiras de vácuo devem ser trocadas uma vez ao ano ou quando ocorre algum rompimento precoce na mesma, essas mangueiras deverão estar maleáveis e integras para que o vácuo do sistema não sofra interferência e assim a ordenha seja estável.

Outra situação que pode ocorrer com o passar do tempo e uso prolongado da mesma é que a mangueira pode começar a escapar dos conectores principalmente a dupla do vácuo, pode soltar do pulsador ou até mesmo do distribuidor de vácuo preso junto ao coletor e com isso atrapalhar o processo de ordenha podendo gerar atraso na sessão de ordenha.

Outro fator externo que influencia sobre as mangueiras principalmente nos estados do sul do Brasil e países platinos é o frio, a temperatura baixa atua no PVC podendo enrijecer as mangueiras, principalmente se tiverem com tempo de utilização avançada.

Mangueira do Leite:

As mangueiras de leite são um componente muito importante, é nela que o leite passa após ser extraído do animal, sendo assim é de extrema importância estarmos atento a esse componente, verificando se o mesmo está dentro das especificações e prazo de utilização.

Essa mangueira já possui outras tecnologias em uso podendo variar o material de sua fabricação sendo fabricada em PVC, Silicone e borracha.

Na mangueira fabricada em PVC, o mesmo é especifico para contato com alimentos sendo um PVC especial para sua confecção e possuindo a recomendação de substituição a cada 06 meses, após isso fica difícil manter seu padrão sanitário podendo deixar a mesma enrijecida, quebradiça e com ranhuras internas que podem influenciar no status CBT (Contagem Bacteriana Total).

Isso porque essas mangueiras estão durante a ordenha com leite e após a ordenha as mesmas recebem um protocolo de limpeza, onde possuímos algumas etapas como enxague sem produtos e enxague com produtos químicos com a circulação com detergente alcalino, ácidos e sanitizante que agridem a mangueira e seus componentes.

Imagem interna da mangueira de leite -aumentada:

          

Há novos compostos que nos permitem aplicar novas tecnologias para fabricação de mangueira do leite, como a dupla camada que possui uma resistência maior e mantém pouca luminosidade ao leite. Ela é indicada para utilizar em equipamentos com medidores eletrônicos por infravermelho e tem indicação de utilização de 12 meses.

Ainda é possível utilizar o silicone para confecção desta mangueira onde possuímos uma resistência maior a agressão causada pelos agentes principalmente da lavagem, como detergentes alcalinos e ácidos. Suporta temperatura elevada sem perder suas propriedades e menor tendência ao enrijecimento no frio, possui tempo de utilização recomendável de 12 meses, tendo um custo mais elevado que as demais devido a matéria prima utilizada.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, sendo assim devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao meu coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Mangueira de Transferência do Leite

São as responsáveis por transferir o leite do sistema de ordenha para o resfriador, ficam conectadas entre o filtro do equipamento e a boca de entrada do leite no tanque resfriador.

Possui dois diâmetros um modelo de 1”polegada e de 1.1/4” polegada possui uma parede mais espessa de 6,5 mm e não possui aramado são inteiramente lisas como as utilizadas nos conjuntos de ordenha, geralmente se recomenda utilizar mangueira de transferência quando a sala do leite estiver entre 9 a 12 metros, superior a essa distancia e interessante utilizar linha de tubo inox.

Devem possuir os mesmos cuidados das demais e se certificar que a mesma esteja integra e limpa.

Portanto as mangueiras são fundamentais e devem ser consideradas no planejamento de manutenção do equipamento, podendo ser um motivo de transtorno e prejuízo, afetando a performance da ordenha.

A parceria com técnicos e empresas de serviços de manutenção dos sistemas de ordenhas são soluções que evitam possíveis transtornos e prejuízos a fazenda, sendo de grande valia a preocupação com o sistema de ordenha, como um implemento fundamental para a fazenda devendo estar em pleno funcionamento.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Sistema de Gestão da Qualidade – ISO 9001:2015

Nos dias 10,11 e 12/06/19 a Inabor foi auditada na Norma ISO 9001:2015.

Durante esses três dias todas as áreas da empresa foram auditadas e ao final foi recomendada a Recertificação.

A Inabor agradece a todos os funcionários e parceiros pelo empenho e comprometimento, só assim conseguimos atingir os objetivos propostos sempre pensando na Satisfação dos Clientes, Colaboradores, Provedores Externos e Diretores.

“Inabor, produzindo com qualidade e inovando para o futuro”.

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Desmistificando a Teteira II

A sequência do texto tem a intenção de elaborar uma ideia sobre a importância das trocas das teteiras, para melhor desempenho do sistema de ordenha e conforto do animal. Vamos demonstrar um pouco o lado financeiro das trocas das teteiras e o impacto nas contas da fazenda.

Vamos realizar os exemplos nas teteiras de borracha por serem as mais utilizadas nas fazendas brasileiras, as borrachas devem ser específicas para esse uso e serem eficientes durante a ordenha, preservando a saúde do animal.

A teteira de borracha da Inabor é projetada para 2.500 ordenhas. Dentro deste período de uso a mesma entregará os resultados propostos, que compreendem uma ordenha suave e completa, e manterá seu status higiênico de qualidade.

Na Inabor a borracha para fabricação das teteiras tem o processo de mistura dos componentes (matéria prima) realizado na própria indústria. A Inabor não compra borrachas prontas do mercado para injeção do produto, tendo todo um processo de seleção e rastreamento das matérias primas, assim como do produto acabado, conforme o propósito da empresa e as regras da ISO a qual a empresa é certificada desde de 2001. As teteiras Inabor possuem controle de série de produção gravado a laser, com isso conseguimos rastrear nossos produtos verificando lotes de produção.

Frequentemente escutamos no mercado frases como: “as teteiras ainda estão boas, não precisam ser trocadas no tempo determinado (2.500 ordenhas ou 6 meses) ”.  Vamos aprofundar uma pouco mais essa conversa e tentar demonstrar em uma conta simples, o custo de não manter em dia suas trocas. – Em outros textos publicados no site MilkPoint há informações sobre tempo de uso da teteira e suas consequências. –  O que ocorre, sucintamente, é que as teteiras que já ultrapassaram o tempo de uso determinado não conseguem ordenhar completamente, se fala em torno de 5% de leite não ordenhado. O status higiênico diminui devido as ranhuras que se formam, onde acumulam sujidades podendo alterar status de CBT (Contagem Bacteriana Total) do leite. A peça fica sujeita à deformidade de bocal e massageador, o que permitem entrada de ar em excesso acarretando em quedas dos conjuntos de ordenha, com isso podendo aspirar sujidades da sala para o sistema de ordenha, assim comprometendo a qualidade do leite alterando CBT.

As imagens nos remetem a uma ideia do que ocorre com a teteira com o passar do tempo e o seu uso. Além de sua aplicação a teteira ainda sofrerá ação do tempo, principalmente da incidência solar e do ozônio que promovem envelhecimento da borracha.

Vamos tentar entender então o que ocorre. A teteira está montada na capa metálica esticada na faixa de 15% do seu tamanho, trabalhando 2 vezes ao dia (média nacional 2 ordenhas). Cada sessão geralmente dura em torno 3 horas, ou seja, a teteira trabalha na faixa de 6 horas por dia. Nela passará leite, água fria, água quente com detergente alcalino e ácido no mínimo duas vezes ao dia.

Muitas vezes lançamos mão de diminuir as trocas para “economizar”, mas será que essa economia é favorável?

Exemplo:

Uma propriedade com 40 vacas em lactação, sendo ordenhada num equipamento com 4 postos de ordenha, produzindo em média 22 litros a um preço do litro do leite de R$ 1,39.

Exemplo para cálculo mantendo estabilidade para entendimento do exercício;

Produção diária de 880 litros totalizando no mês 26.400 litros de leite, renda mensal da propriedade R$ 36.696,00.

Para esse tamanho de equipamento e com esse número de animais deveríamos realizar 3 trocas no ano para atender a ordenha dentro do prazo de utilização das teteiras, sendo assim calculamos assumindo um custo na faixa de R$ 100,00 por jogo de teteira (Valor para realizar o exercício) obtivemos um custo anual de teteira de R$ 1.200,00.

Nessa situação, em tempo seriam 4 meses a periodicidade das trocas, entretanto se desejarmos economizar uma troca esticando para 6 meses o que poderá ocorrer;

  • Teteira já não é mais eficiente pode deixar 5% do leite
  • Tempo de ordenha aumenta devido à baixa eficiência da teteira maior gasto com energia
  • Quedas de conjunto de ordenha mais frequentes e riscos de contaminação do leite aumenta podendo ter punição nos que recebem bonificação por qualidade.
  • Baixa eficiência higiênica da teteira comprometendo a qualidade do leite
  • Incidência de mamite (a tendência é aumentar), aumentando assim o custo

Assumindo que desejamos esticar para 6 meses e apenas 2 trocas qual o risco? Imaginamos que no primeiro mês após vencimento 5% dos animais são acometidos de mamite devido a massagem não uniforme e falta de força de colapso, para retirar todo leite deixando excesso de leite residual, essa porcentagem no nosso exemplo equivaleria a 2 vacas.

Como as teteiras perdem eficiência aumentamos o custo energético com equipamento quase uma hora a mais ligado, custo do tratamento e o descarte do leite foram considerados;

Energia Custo a mais (30 dias). Tratamento (7 dias) Descarte Leite (7 dias) Total
R$ 263,40 R$ 240,00 R$ 428,12 R$ 931,52
R$ 263,40 R$ 360,00 R$ 642,18 R$ 1.265,58

Na segunda linha da tabela prospectamos um cenário com 7,5% dos animais acometido de mamite, ou seja, 3 vacas o resultado se equipara ao custo anual para 3 trocas de teteiras, ou seja, o cuidado com esse componente é essencial para a fazenda de leite. No final do mês podemos reduzir o faturamento da fazenda, que impacta na receita, entendemos que a pequena economia pode impactar no momento da troca, mas pode se tornar um prejuízo muito maior ao longo do tempo.

Claro que muitos terão bases de valores diferentes, obtendo resultados diferentes, e outros custos não contabilizados no texto, entretanto, o intuito foi demonstrar o quão importante a teteira é no processo de ordenha e quanto pode impactar na receita da fazenda, se perdurarmos por mais tempo o uso do que o recomendado. E uma simples troca, evita com que prejuízos maiores aconteçam.

Reforçamos sempre a importância de a fazenda possuir um bom suporte técnico, não só veterinário, mas no sistema de ordenha. Planos de serviços de manutenção podem ser uma alternativa interessante para que a fazenda mantenha o sistema de ordenha em alta performance e principalmente na saúde dos animais.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico

Desmistificando as Teteiras!!

 

Temos o desafio mensal de escrever no site textos sobre produção de leite e mais especificamente sobre teteiras, produto o qual a empresa é fabricante.

Sempre quando visitamos clientes ou em atendimentos, as ocorrências e dúvidas são sempre as mesmas, o artigo de hoje tem intuito de passar uma informação simples para identificação, montagem e duração das teteiras nos equipamentos e durante a ordenha.

Umas das grandes dúvidas é quanto ao material que é fabricado a teteira, hoje se fabrica teteira basicamente com duas matérias primas borracha e silicone. Esses componentes são bem diferentes quimicamente um do outro e a ordenha é igualmente distinta.

A borracha é o material mais convencional para fabricação da teteira. Na teteira precisamos ter boa elasticidade e memória devido sua aplicação resultar em um massageamento (abre/fecha) no teto realizando sempre a mesma tarefa. A maciez e poder dermatológico são qualidade imprescindíveis. A borracha sofre ação do tempo, detergentes de limpeza, água quente e os componentes do leite afetam as propriedades das teteiras de borracha.

Já o silicone é um material alternativo muito nobre utilizado para fabricação de teteiras, possuindo praticamente as mesmas qualidades químicas de borracha se diferenciando em alguns pontos. O silicone é mais resistente a ação do tempo, detergentes de limpeza, água quente e aos componentes do leite, em contrapartida mais frágil mecanicamente, sendo muito sensível a quedas durante a ordenha.

A borracha possui um massageamento mais consistente, entretanto com uma longevidade menor já o silicone possui um massageamento mais suave com uma longevidade maior. Quanto a longevidade nas teteiras fabricadas com borracha sua projeção de uso é para 2.500 ordenhas, já as fabricadas em silicone sua projeção de uso é para 5.000 ordenhas.

Sempre que optarmos por uma mudança no material da teteira (borracha/silicone) deveremos ter a consciência do ajuste e adaptação do rebanho em ordenha, por terem diferença na massagem, que irá interferir diretamente no o tempo de ordenha (por sessão). A utilização das rotinas de ordenhas consistentes auxiliam a fazer uma ordenha rápida, suave e gentil claro observando a regulagem e dimensionamento do equipamento de ordenha.

Outra dúvida é como identificar a teteira para o equipamento ou solicitada pelo produtor, como são vários modelos para os mais variados conceitos de ordenha além das diferentes marcas de equipamentos, a dúvida quanto aos seus desenhos e funcionalidades.

Sempre somos questionados sobre a diferença nos anéis e cabeça da teteira, vamos tentar explicar de forma bem prática.

São vários formatos que são indicados a variados tamanhos de tetos e tipo de úbere a ser ordenhado, já conversamos sobre essas características de tipos de teteiras em outro texto MilkPoint, há mais informações sobre tipos de teteira nesse texto → Tipos de Teteiras.

Também teremos outro fator importante na cabeça das teteiras, o diâmetro do orifício onde o teto será inserido. Temos diâmetros indo de 18 mm a 24 mm. Sendo o mais comum de 24 mm, mas devemos estar atentos nos ganhos genéticos e evolução do úbere quanto a posição, formato, disposição, tamanhos dos tetos e raça utilizada.

 

As imagens demonstram bem a diferença do orifício da teteira para o teto.

Importante, podemos estar enforcando o teto por estar com o orifício muito apertado podendo ocasionar até marcas no corpo do teto ou não conseguir acoplar a teteira ao teto.

Ao contrário, pois se for muito grande a entrada de ar em torno do teto pode prejudicar o vácuo podendo ocorrer o deslizamento da teteira do teto.

 

Outra dúvida recorrente são quantos aos anéis das teteiras e como utilizar corretamente.

Teteira 2 anéis:

Possui anel de encaixe menor que a de 1 anel.

Geralmente utiliza capa entre 140 a 155 mm

É muito utilizada em sistemas balde ao pé ou com transferidores.

 

Teteira 1 anel:

Possui anel de encaixe maior que a de 2 anéis.

Geralmente utiliza capa entre 140 a 155 mm

É utilizada em vários sistemas inclusive em sistemas canalizados.

 

 

Capa com diâmetro para teteira 2 anéis.

 

 

Capa com diâmetro para teteira 1 anel.

 

Sendo assim a capa das teteiras modelo 1 anel são diferentes das de 2 anéis não podendo ser adaptadas uma na outra, entretanto dois anéis muitas vezes possuem apenas detalhes de design diferente, porém com mesma aplicação e podendo ser adaptadas em capas para esse modelo.

E por último e não menos importante devemos atentar para o diâmetro de encaixe da teteira ao coletor, para que possamos instalar o modelo correto para que não ocorra problemas na teteira como rasgar pelo diâmetro muito pequeno ou cair do coletor devido ao diâmetro muito grande.

Na Inabor informamos o diâmetro do orifício de encaixe teteira (tubo curto do leite), ou seja, o diâmetro deixado para o leite fluir. Por exemplo uma teteira que informamos que o encaixe é de 8 mm o coletor para essa teteira deverá possuir o tubo de encaixe de 11 mm externo (niple do coletor). Com uma teteira de encaixe 10 mm deverá ter até 13 mm externo. Como nesse modelo 1 e 2 anéis a uma variedade grande de diâmetros que vão de 8 mm, 9,5 mm e 10 mm devemos estar atentos para não ocorrer transtornos durante a ordenha por instalar teteira de diâmetro errado ao coletor.

Diâmetro de encaixe da teteira errado pode ocasionar rompimento da teteira rasgando no encaixe, queda da teteira do coletor (fica escapando do coletor) o que gera muito contratempo e prejuízo na hora da ordenha.

Portanto para que a troca de teteira não vire um mistério é interessante possuir uma uniformidade no equipamento de ordenha, principalmente para quem possui mais de um conjunto de ordenha tentando preservar o mesmo modelo de coletor e teteiras em todos os postos de ordenhas, ter os modelos e descrições do equipamento em mãos e se possível levar um exemplar ao local de compra para verificar a semelhança, mas acredito que o fortalecimento da parceria com técnico de ordenha e empresas que atuam nesse ramo são de grande valia e segurança ao produtor na hora de realizar as trocas das teteiras.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico