Fim de Ano 2019!

Mais um ano se indo, o início de um novo ano nos oferece a oportunidade de olhar com alegria, discernimento, entendimento e coragem para o ano que passou e para o ano que está por vir.

Quando chegar vai ser pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas, renovar propósitos e tantas outras coisas, seja pelo lado profissional como o pessoal.

É com esse espirito de reflexão que desejamos encerrar o ano de 2019, realizar um balanço ao olhar para o mercado e analisar os acontecimentos relevantes para o setor lácteo brasileiro em 2019.

Um dos principais acontecimentos para o setor leiteiro entre tantos, foi a promulgação das Instruções Normativas para cadeia do leite pelo Ministério da Agricultura, substituindo a famosa Instrução Normativa (IN) Nº 51 de 2002, que de tanto protelarem sua aplicação se fez necessário um novo entendimento para que o leite brasileiro tivesse uma nova norma de padrão de qualidade.

O Ministério da Agricultura lançou nesse ano as Normativas, IN-76 e IN-77 que sofreram algumas alterações já nesse ano de 2019. As mesmas foram flexibilizadas para atender um universo maior de produtores, assim promulgando as IN-58 alterando o 7º e 8º artigo da IN-76, e a IN-59 alterando os artigos 44º,45º,49º e 52º da IN-77. Essas alterações se encontram publicadas no Diário Oficial da União nº 216 seção 1 página 18 de 07/11/2019.

Muitos ficaram receosos de início com as novas normas para a produção de leite, alegavam e com razão a existências de gargalos importantes como fornecimento de energia elétrica deficiente, dificuldade financeiras para novos investimentos e os acessos as propriedades serem por muitas vezes precários principalmente em dias chuvosos.

É sabido que os desafios para uma boa lactação como custo de produção, produtividade animal e preço do leite no Brasil são grandes. Porém o desafio da produção de alimentos também grande. Possuímos uma taxa de crescimento populacional que demandará por mais alimento no futuro, entretanto, devemos ficar atento as novas demandas da sociedade de consumo como:

· bem-estar animal;

· uso racional da água;

· menor uso de herbicidas, pesticidas e zelo com meio ambiente;

· maior qualidade no produto produzido;

Juntamente com as novas normas (IN 76 e 77) acredita-se que poderemos acessar novos mercados e não depender só do mercado interno, assim melhorando a remuneração ao leite. É uma tendência, não uma garantia, mas para isso a segurança, higiene e qualidade alimentar é imprescindível não só para abertura do mercado do leite.

Sabemos que os produtores rurais são uma classe que possui muita resiliência, experiência, conhecimento e entusiasmo em produzir e superar desafios, no entanto, sozinhos não poderão garantir a produção segura de alimentos, devendo os consumidores, varejistas, fabricantes, empresas comerciais, autoridades públicas, cientistas e instituições financeiras serem corresponsáveis em promover um ambiente de negócios favoráveis a todos os envolvidos.

E o que esperar de 2020? De nada adianta mudarmos o número do ano no calendário se continuarmos com velhos hábitos, a nos programar do mesmo jeito, tendo as mesmas atitudes, produzindo da mesma maneira, as mesmas reações, deixando-se ficar na mesmice. Precisamos estar preparados realmente para um novo ano, com novas atitudes, adeptos a mudanças e entendendo que essas mudanças sejam para o melhor, na esperança que o que está por vir seja mais produtivo em todos os setores.

“Vivemos até agora na suposição de que o que era bom para nós era bom para o mundo. Foi um engano. Precisamos alterar a nossa existência de modo que seja possível viver com a convicção contrária, de que o que é bom para o mundo há de ser bom para nós” (T.Graedel, 2002).

Boas festas e um 2020 repleto de mudanças e realizações!

 

Lissandro Stefanello Mioso-CRMV/RS 8457

Médico Veterinário/Consultor Técnico Comercial

Teteira e seus cuidados

Retomaremos o assunto sobre Teteiras, devido as impressões que tivemos após as últimas viagens pelo Brasil realizando treinamentos sobre o sistema de ordenha. Muitas vezes os produtores de leite, veterinários, consultores e vendedores externos que prestam assessoria aos produtores de leite apresentam dúvidas recorrentes.

Essas dúvidas são referentes a grande quantidade de modelos de teteiras existentes, suas diversas características, matéria primas utilizadas e sobre como entender catálogos de teteiras.

Em outros textos publicados no site da Inabor e no MilkPoint já encontramos bastante informação sobre o tema porem, desta vez, tentaremos ser mais práticos e ilustrativos para que essas dúvidas sejam minimizadas por todos que de alguma maneira ou outra atuam na pecuária leiteira.

Já falamos sobre os tipos de tetos encontrados e classificados no Brasil e quem conhece sabe da diversidade que é um rebanho de vacas leiteiras.

Mas a intenção agora é de auxiliar a escolha do modelo de teteira através da leitura do catalogo e entender se as medidas ali descritas são compatíveis com seu sistema de ordenha.

Vou exemplificar pelo modelo mais comum atualmente utilizado no Brasil, ou seja, Teteira de 2 anéis.

Abaixo disponibilizo exemplos de versões existentes desse modelo:

Nas imagens acima temos um modelo de Teteira e suas variações; são 3 exemplos de teteira 2 anéis, entretanto notem que possuem diferença na descrição. Se olharmos para a parte da teteira em contato com a vaca possui diâmetros diferentes que está entre 23 a 24 mm, isso condiz com os tipos de tetos encontrados.

 

Existem modelos de variação menor para tetos de diâmetros menores. Se observarmos, por exemplo, na imagem ao lado o orifício é de 18 mm, frente ao padrão standard de 24 mm. Entretanto é bom reforçar que não é só o diâmetro do encaixe ao teto que é menor, o massageador também tem um tamanho menor para melhor vedação da teteira ao teto.

 

 

A próxima medida está relacionada ao anel de encaixe ao dispositivo / capa metálica, que também é importante ficarmos atentos.

 

 

 

Essa parte é responsável pela fixação da teteira ao dispositivo / capa metálica sendo assim o anel da teteira deverá ser maior que o diâmetro de encaixe no dispositivo / capa metálica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Entretanto não esquecer que alguns modelos possuem o anel oval utilizando um dispositivo / capa metálica com orifício oval e não redondo.

 

 

 

 

 

Dispositivo / Capa Metálica para Teteira 2 Anéis redonda.

Diâmetros podem variar conforme a imagem ao lado entre 17 a 19 mm

 

 

 

 

 

Essa parte da teteira (o tubo curto ou pé) é que faz a ação de fixar ao niple do coletor e ainda dar resistência ao produto no movimento de vai e vem além de vedar a entrada de ar em excesso quando as teteiras estiverem dobradas.

 

 

O pé da teteira é o que vai encaixado nessa parte do coletor, que as vezes pode ser cortado em obliquo, o que favorece a vedação na troca de vaca, ou reto, o que não força a borracha. Enfim as duas maneiras tem os seus pros e contras.

 

Aqui entra uma dica importante para que não ocorra rompimento ou até mesmo rasgo no tubo curto do leite ou pé, como é chamado essa parte da teteira.

Medida Externa do Niple do Coletor Medida Interna do Tubo de Leite da Teteira
Ø 11 mm Ø 8 mm
Ø 12,5 a 13 mm Ø 9,5 a 10 mm
Ø > 13 Ø 15,5 a 16 mm

 

Conforme as imagens acima no exemplo das 3 teteiras verificamos diferenças entre elas no diâmetro desta porção da teteira. O valor informado no catálogo da teteira é de sua vazão, sendo assim devemos ter cuidado nessa medida.

O ato de ordenhar por si só é uma operação que deverá ser realizada em harmonia com os animais, com muita prudência, entretanto sem lentidão para que possamos ordenhar os animais dentro de um tempo razoável de exposição ao vácuo. A ordenha é normalmente realizada duas vezes ao dia e o único produto em contato com o animal é a teteira. A mesma também é uma parte do equipamento que fica sob a vaca correndo risco de pisoes e batidas, o que pode vir a danificar as partes da peça que estão expostas, como cabeça e tubo curto do leite, enfim partes fora do dispositivo / capa metálica.

A parte crítica sempre está no massageador que está dentro de um copo inox devidamente protegido, sendo a porção do produto que trabalha massageando, realizando abertura/fechamento durante o ciclo do pulsador no período da ordenha e essa parte sim não poderá apresentar defeitos.

Em sistemas canalizados de ordenhas uma das deformações que encontramos muito comum nas teteiras, são nos equipamentos que utilizam jetters/spray. É a deformação dos lábios e do orifício de encaixe no teto (cabeça) devido sua permanência por muito tempo acoplado aos jetters/spray, muitas das vezes não drenando o equipamento por completo ficando resíduo de água e detergente na parte interior da teteira podendo levar a desgaste precoce.

Há outros tipos de teteiras, outros designs pois há dezenas de empresas de ordenha operando no Brasil, cada qual com seu conceito e configuração de sistemas.

Também podemos ter diferenciais técnicos na produção de uma teteira como massageador com diferentes espessuras de parede para maximizar o ciclo do pulsador e também quanto ao desenho do massageador que pode variar de redondo, quadrado ou triangular, cada uma com sua peculiaridade técnica para um bom funcionamento.

E por ultimo e não menos importante o comprimento do dispositivo / capa metálica deverá satisfazer, de forma a não esticar em excesso, mas também não deixar frouxa a teteira no seu interior. Já falamos sobre o assunto mais vale repetir, o ideal é entre 5% a 17% de estiramento da teteira no interior do dispositivo para promover uma tensão boa para ordenha.

Esperamos ter contribuído um pouco mais sobre esse tema e seus detalhes técnicos. Reforçamos novamente a importância de acompanhamento no sistema de ordenha por profissionais capacitados que auxiliarão nesse quesito, assim promovendo o bom desempenho do equipamento de ordenha.

O setor de suporte da Inabor estará sempre a disposição para auxiliar e prestar auxílio aos clientes e usuários dos nossos produtos. Confiram nosso site www.inabor.com.br/calc/ a calculadora de uso para saber o tempo ideal de troca das teteiras para não comprometer a ordenha e a saúde do animal, verifique também os demais textos publicados no site www.Milkpoint.com.br sobre teteiras, sistemas de ordenhas e de leite no geral.

Excelente Lactação a todas a fazendas.

  Por Lissandro Stefanello Mioso

Med. Veterinário / Consultor Técnico

Dicas para Manter a Performance da Ordenhadeira

Todo sistema de ordenha deverá estar equipado com um bom sistema de lavagem onde empregamos um processo de lavagem com água quente e uso de detergente alcalino para manter um bom desempenho na teteira. Processos de lavagens fracos ou mau dimensionados geram uma lavagem deficiente, resultando em um desgaste rápido da superfície da teteira e crescimento bacteriano acelerado.

É recomendável desacoplar as teteiras do sistema de lavagem após o processo ter terminado. Deixar as teteiras acopladas ao sistema de lavagem, seja do tipo ducha ou jetters, não permite que o sistema seja drenado por completo e pode acelerar o crescimento bacteriano. Teteiras deixadas acopladas em sistemas de lavagem equipados com jetters aceleram a deformação dos lábios do orifício de encaixe da teteira ao teto do animal e com isso aumenta o risco de quedas de teteiras e reduz a vida útil da mesma.

Outro fator interessante é de não tensionar as teteiras 2 anéis na metade da vida útil e sim seguir o plano de troca recomendável, teteiras tensionadas mantém por pouco tempo efetividade e são vilãs no quesito de qualidade de ponta de teto.

Capa versus Teteira: (Tensão da teteira)

Fórmula: (a-b/b)x100    – Valor objetivo entre 5 a 16%

a = comprimento da capa

b = comprimento do massageador (barrel)

Imagem 1 – sistema de lavagem jetters

Imagem 2 – sistemas de lavagem fechado (ducha + jetters)

Imagem 3 – sistemas de lavagem duchas

 

Tabelas sugestões de ações na Ordenhadeira

 

 
Fatores que contribuem Ações
Teteira não compativel com os tetos do rebanho Selecionar um modelo de teteira que sejam compatíveis com tamanho dos tetos do rebanho.
Nivel de Vácuo Manter o nível de vácuo dentro dos níveis sugeridos pelo fabricante ou técnico especializado.
Bomba de VÁCUO, linha de leite etc Certifique-se que os componentes de seu equipamento estejam corretamente dimensionados, manter as linhas de leite mais baixa possível < 1,8 metros e projetar que as mangueiras de leite não fiquem muito compridas.
Regulador de vácuo ou variador de velocidade Regulador ou variador não responsivo ou mau regulado resultará em flutuações de vácuos severas. Mantenha os mesmos limpos e operantes.
falta de alinhamento dos conjuntos de ordenhas O alinhamento dos conjuntos é importante para que o mesmo possua boa vedação entre os tetos e a teteira, tentar manter as mangueiras de leite e dupla da pulsação curtas, entretanto não tão curtas que possa puxar os conjuntos desalinhando quando acoplados no animal.
Tetos de novilhas ou finos Geralmente essa categoria deixa muito ar vazar não promovendo boa vedação entre tetos e teteira.
Teteiras torcidas Verificar se as teteiras estão alinhadas dentro do copo, geralmente as teteiras possuem flechas indicadoras caso estejam torcidas ajustem as mesmas antes da ordenha ou até mesmo da lavagem.
Peso do Coletor de leite Verifique se o mesmo não é muito leve ou muito pesado para seu rebanho.

 

Inspeção Visual:

Realizar mensalmente a inspeção visual por rachaduras, fissuras, desgastes nos componentes como teteiras e mangueiras.

· A utilização de mangueiras translucidas na curta do vácuo que ligam a capa ao coletor auxiliam na detecção de teteiras partidas pela presença do leite na mangueira.

· Teteiras não devem ter nenhuma rachadura ou fissura no tubo curto do leite que liga ao coletor e nem apresentar inchaço ou dilatação dos lábios e câmara do bocal da teteira, o interior deve estar com a superfície lisa e suave.

· Verifique sempre se as teteiras estão alinhadas nos copos.

· Além do interior estar liso não deverá soltar resíduos pretos.

Verificação de Performance:

A ocorrência recorrente de qualquer um dos itens a seguir pode indicar um problema com as teteiras ou a máquina de ordenha:

· Quedas da teteira ou dos conjuntos de ordenha (Não deve ser maior que 5 por 100 vacas)

· Condição ruins dos tetos, não deverá apresentar anéis na base do teto, manter a coloração mesmo após ordenha e os tetos não devem se apresentar inchados.

· Animais inquietos durante a ordenha

· Ordenha incompleta da vaca

· Sessão de ordenha muito longa

Para tanto essas dicas são apenas para auxiliar o operador ou proprietário sobre o que pode está acontecendo com a ordenhadeira, o mais certo e seguro a fazer é possuir um bom plano de assistência com as empresas especializadas.

A instalação do equipamento de acordo com os padrões de funcionamento e instalações, é de fundamental importância, sendo essencial que o mesmo seja submetido a revisões e manutenções periódicas. A exigência da manutenção vai girar em torno de 3 fatores: números de horas de funcionamento, do fabricante e das condições ambientais.

Portanto, podemos ter como regra que o equipamento de ordenha requer revisão a cada 750 horas, e uma manutenção a cada 1.500 horas de funcionamento.

Revisão 750 horas.

Se a sessão de ordenha dura 3 horas e geralmente temos 2 sessões por dia, podemos chegar a 125 dias ou 4 meses.

Manutenção 1.500 horas.

Se a sessão de ordenha dura 3 horas e geralmente temos 2 sessões de ordenha por dia, podemos chegar a 250 dias ou 8 meses.

Atenção quanto ao tempo de duração da ordenha, incluindo o processo de lavagem que tem grande influência no desgaste de partes e peças, havendo mais de 2 sessões, essas deverão ser computadas.

Reforçamos sempre a parceria com a manutenção do sistema de ordenha, pois muitas vezes existe genética, nutrição e sanitário excelentes com estruturas fantásticas e o sistema de ordenha é tratado com um implemento qualquer. Na pecuária de leite, o sistema de ordenha, é a nossa colheitadeira, que colhe todos os dias, mais de uma vez por dia, e por isso seu funcionamento deve estar impecável para uma excelente performance.

 

Boa Lactação !!!!!

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV 8457

Consultor Técnico

Interação Sistema de Ordenha com o Complexo Mamário e Consequências

Nesse texto vamos abordar os efeitos da ordenha no complexo mamário e o que pode ocorrer ao animal com uma rotina de ordenha inconsistente e um equipamento de ordenha não adequado.

Sabemos que o ato de ordenhar um animal seja ele manual, mecânico ou até mesmo a mamada de um bezerro /terneiro pode comprometer o estado de integridade da pele nas pontas dos tetos, fenômeno que ocorre também em vacas de corte tendo maior importância econômica nas vacas de leite por sua rotina diária.

Na pecuária de leite uma das atividades recorrentes é ordenha dos animais com ordenhadeiras mecânicas, onde há o acoplamento do equipamento ao animal através dos conjuntos de ordenha, e nesse conjunto se encontra uma das peças em contato com o teto (teteira) que transfere toda pressão de trabalho do equipamento de ordenha ao teto para a retirada do leite.

Portanto essa ação do equipamento no teto deverá ser monitorada e regulada por técnicos profissionais em sistemas de ordenhas, para se minimizar os efeitos sobre o complexo mamário e promover melhor saúde do úbere ao nosso plantel.

Uma das consequências em não observar a aplicação de uma rotina consistente de ordenha e manutenção do equipamento de acordo com sua funcionalidade, são lesões nos tetos, ao qual nos levam ao comprometimento da qualidade do leite e bem-estar dos animais.

O nosso desafio diário é de manter a saúde do úbere e se manter alerta a qualidade das pontas de teto, não havendo esse cuidado os riscos de problemas relacionados ao teto aumentam muito, principalmente casos de Hiperqueratose.

Mas o que é Hiperqueratose?

A ponta do teto é a primeira defesa do úbere contra a invasão de microrganismos causadores de mastite, estar atento às boas condições dos tetos é essencial para evitar que o problema da mastite se agrave na propriedade. Por ser a barreira primaria fica claro que quando ocorrem alterações na pele dos tetos existe o risco do aumento de novas infecções.

Sendo assim a hiperqueratose da ponta dos tetos das vacas, nada mais é que o aumento exacerbado da pele que recobre a região do canal do teto e orifício externo. Exames histológicos de pele desta região revelam que a hiperqueratose é resultado de uma hiperplasia (nº de células aumentada) do extrato córneo das camadas da pele.  A hiperqueratose é chamada muitas vezes no campo de: calos, calosidade, cornificação, entretanto, chamar a mesma de inversão ou prolapso não é correto.

A ocorrência de hiperqueratose dos tetos é mais comum em rebanhos de altas produções, por possuir um desafio de ordenha maior devido ao tempo individual de ordenha por vaca. O início e a gravidade dessa condição nos tetos são afetados pelo clima, ambiente, manejo, equipamento de ordenha e genética.

Vacas que apresentarem tetos irregulares, mal posicionado ou tamanho inadequado para ordenha mecânica, são mais suscetíveis ao surgimento de casos de hiperqueratose, independente de máquina de ordenha ou manejo. Sendo que a hiperqueratose não é um evento instantâneo e sim a longo prazo entre duas (02) a oito (08) semanas.

Quanto a alterações provocadas pelo equipamento de ordenha:

As alterações relacionadas ao equipamento de ordenha, deverá se associar toda rotina na sala de ordenha e possuir uma visão holística devido a que a interação das ações possa ser a razão do problema.

O texto “Rotina de Ordenha: A Chave Da Qualidade Do Leite” que está no site da MilkPoint traz sugestões de como proceder para possuir uma rotina consistente. O texto ”Volume de Vácuo no Coletor de Leite em Sistemas de Ordenhas e o Efeito na Vaca” que também está no site nos traz informações sobre o que ocorre durante a ordenha. Se encontrará também informações sobre os tipos de teteiras, forma e tempo de uso das mesmas no texto “Tipos de Teteiras”.

Nesse quesito é importante o auxilio de um bom técnico de ordenha para ajuste do equipamento de ordenha caso necessário, de forma sucinta relaciono as situações que devem ser monitoradas para solução do problema ou minimização do problema.

Sendo apontada como uma das causas principais do aparecimento de situações de alteração dos tetos, o equipamento de ordenha deve ser monitorado diariamente pelos ordenhadores e revisado continuamente dentro de prazos prescritos pelos fabricantes, por técnico habilitados para serviço de regulagem e manutenção do equipamento de ordenha.

Um dos grandes vilões apontados para essa situação precária de saúde de ponta dos tetos é o nível alto de vácuo nos sistemas de ordenha. De forma simplista poderá ser a chave, entretanto devemos investigar e averiguar o sistema e o manejo para que possamos chegar as conclusões e aplicar as mudanças necessárias para enfrentar o problema.

Hoje possuímos níveis de vácuo orientativos para os sistemas de ordenha. Por exemplo em um sistema de linha média, o nível de vácuo é entre 47 a 50 Kpa. Numa linha baixa o nível de vácuo poderá ser entre 40 a 42 Kpa. Esses valores como regra geral servem para todos equipamentos de ordenha, mas dependendo do nível de produção, rotinas de ordenha, morfologia do úbere e tipos de teteiras poderá demandar uma necessidade de ajuste dos níveis orientativos de vácuo para conseguir uma melhor performance de ordenha e saúde do úbere.

O nível de vácuo do sistema de ordenha não determina a velocidade de ordenha, para que tenhamos um fluxo de leite satisfatório devemos possuir equilíbrio entre o nível de vácuo do coletor de leite com o tipo de teteira que utilizamos. Entretanto para verificar o bom funcionamento devemos averiguar o sistema de ordenha num todo, a começar pela bomba de vácuo terminando na ponta do teto do animal.

Podemos ter vácuo alto por falta de atuação do “regulador de vácuo” ou por ajuste errôneo do equipamento de ordenha.

Entretanto causas mais comuns de nível alto estão no início e fim da ordenha;

Início da Ordenha: é sabido que a vaca deverá estar preparada e estimulada para que possa liberar ocitocina (hormônio ejeção do leite) e assim dar inicio a ordenha propriamente dita, entretanto, um fenômeno recorrente em muitas fazendas é o que chamamos de Bi modalidade ou sobre ordenha do início do leite.

O acoplamento dos conjuntos de ordenha (Teteiras) a vaca se dá antes de um tempo mínimo para ação fisiológica da vaca em descer o leite, fazendo com que tenhamos vácuo em excesso e pouco fluxo de leite forçando o canal do teto. A bi modalidade pode ser evitada ou minimizada com boa preparação do animal para ordenha.

Fim da Ordenha: se dá de maneira inversa, ou seja, o fluxo de leite cessa ou diminui, mas o conjunto de ordenha não é removido do animal assim permanecendo o vácuo atuando sobre o tecido mamário forçando o canal do teto.

Esses são dois casos de operação, manejo dos animais na sala de ordenha. A sobre ordenha ao final pode ser minimizada com a utilização dos ACR (extratores automáticos de teteiras) desde que os mesmos estejam devidamente regulados para operarem.

Em relação aos componentes, os Pulsadores são responsáveis por realizar o movimento cíclico da parede da teteira definindo as etapas de ordenha (fluxo de leite) e massagem (sem fluxo de leite) e manter a circulação sanguínea ao redor do teto.

Fase de Ordenha (fase do leite): nessa fase as paredes internas da teteira estão bem separadas, abertas, sendo o momento real da ordenha com fluxo de leite no interior da teteira até o coletor de leite.

Fase de Massagem (sem leite): nessa fase se caracteriza pelo contato das paredes das teteiras com o teto, ou seja, fechadas, essa fase tem por finalidade promover a circulação sanguínea e linfática do teto durante a ordenha, para minimizar os efeitos do vácuo necessário para realizar a ordenha.

Os pulsadores podem e devem ser avaliados continuamente com utilização de aparelhos específicos para sua verificação, são os chamados de Pulsógrafos. Com esse equipamento conseguimos realizar as medições, variações de vácuo na câmara de vácuo da capa metálica, ou seja, o espaço deixado entre a teteira e a capa metálica quando montada, os níveis máximo, mínimo e médio na câmara, essa variação cíclica do vácuo está dividia em quatro (04) fases para melhor compreensão.

Fases são divididas em A, B, C e D sendo que as fases A e B corresponde a ordenha, com fluxo de leite, enquanto que as fases C e D correspondem a fase da massagem no fechamento da teteira.

Teteiras: deverão esvaziar o úbere de leite sem causar danos ou efeitos traumáticos aos tetos, para seu correto funcionamento depende de três (03) fatores:

· Funcionamento do sistema de pulsação

· Nível de vácuo do sistema de ordenha

· Características da teteira (material, espessura, elasticidade e design)

A fato mais desafiador é que as vacas possuem características morfológicas diferente de úbere e tetos e diferentes níveis de produção e fluxo de leite. Portanto, as fazendas devem adaptar uma teteira pelo padrão médio do rebanho e pelas características técnicas do sistema de ordenha, pois, chegar a um modelo de teteira perfeito é algo muito difícil pela diversidade que encontramos no rebanho.

Sendo assim para que possamos analisar uma teteira a mesma deve cumprir quatro (04) requisitos básicos;

· Que a teteira se feche hermeticamente em ambos lados da capa metálica

· Utilizar teteira com bocal da câmara de vácuo adequado ao tipo de teto para minimizar quedas e deslizamento de teteira

· Ordenhe rápido, suave e completo minimizando congestão, edema e lesões ao teto

· Deve se lavar e desinfetar facilmente

Contudo, o acompanhamento do equipamento de ordenha se faz tão importante quanto acompanhamento nutricional, sanitário ou reprodutivo do rebanho. Pode comprometer todo o trabalho por não ter um plano de manutenção do equipamento de ordenha e acompanhamento profissional.

As lesões na ponta de teto podem aumentar em até sete (07) vezes a ocorrência de mastite no rebanho, por isso cuidados para manter a saúde de teto das vacas são imprescindíveis para o controle da mastite na fazenda.

Uma dica é visualizar o aspecto dos tetos sempre antes e depois da ordenha, lembrar que hiperqueratose não é instantânea, se desenvolve a médio e longo prazo, verificar especialmente as pontas dos tetos, se as mesmas estiverem saudáveis é um forte indicativo que temos um bom funcionamento do equipamento de ordenha e das teteiras.

Excelente Lactação!

Por Lissandro Stefanello Mioso, Médico Veterinário – CRMV-RS 8457 e Consultor Técnico

 

Bibliografia:

 

Site MilkPoint – autor Marcos Veiga dos Santos (Hiperqueratose dos tetos e sua influência na mastite – Parte 1 e Parte 2).

Site Folha Agrícola – autor Patrícia Maia (A integridade da ponta de teto de vacas leiteiras impacta na ocorrência de mastite).

Site Agron – autor Equipe Agron (Entenda um pouco sobre Hiperqueratose).

Site Comprerural – autor Thamara Mendonça (Hiperqueratose problema pode ser facilmente resolvido).

Manuais técnicos de Funcionamento da teteira – autor departamento técnico Inabor (manual de funcionamento e normas técnicas para funcionamento do sistema de ordenha)

Imagem Google.

Mangueira para Sistema de Ordenha

As mangueiras são componentes fundamentais para o funcionamento do sistema de ordenha, conectando os diversos componentes entre si, por isso é importante a manutenção das mesmas integras e dentro do prazo de utilização.

As mangueiras de leite são responsáveis por fazer a ligação dos coletores ao sistema de ordenha, seja ele, balde ao pé, transferidor ou canalizada transportando o leite ordenhado do animal. Dentre as mangueiras também existem as de vácuo (ar), que conectam o sistema de vácuo a algum componente.

Mangueira para Vácuo:

Mangueira grossa ou principal do vácuo no sistema balde ao pé: responsável por alimentar de vácuo o latão/tarro para criar vácuo no mesmo e ativar a pulsação e iniciar a ordenha. O diâmetro interno se torna padrão em quase todas as marcas de equipamentos sendo uma mangueira 11.95 mm de diâmetro interno.

Mangueira dupla do vácuo: responsável por carrear o pulso do pulsador as teteiras, essa mangueira é comum a todos os sistemas de ordenhas. Os pulsadores alternados importados ou nacionais trabalham com o mesmo diâmetro 7.2 mm interno e dessa forma é extremamente importante atentar para os comprimentos das mangueiras, se as mesmas estiverem maiores de 3 metros irão prejudicar o desempenho da pulsação e consequentemente a ordenha no animal.

Mangueira de pulsação simultânea: é utilizada em sistemas de pulsação simultânea, ou seja, que ordenham os quatro tetos juntos, é importante atentar que essa mangueira possui 9,5 mm de diâmetro interno para acoplar o pulsador diferente das mangueiras finas utilizadas para fazer mangueiras curtas do vácuo que veremos a seguir.

Mangueira fina do vácuo/curta do vácuo: são as mangueiras que conectam as capas das teteiras ao distribuidor de vácuo do coletor levando o pulso para abertura e fechamento da teteira durante a ordenha. O diâmetro dessa mangueira é de 7.2 mm, similar a dupla do vácuo, sendo indicado utilizar uma mangueira termoplástica que não resseque escapando da capa metálica prejudicando a ordenha.

As mangueiras de vácuo devem ser trocadas uma vez ao ano ou quando ocorre algum rompimento precoce na mesma, essas mangueiras deverão estar maleáveis e integras para que o vácuo do sistema não sofra interferência e assim a ordenha seja estável.

Outra situação que pode ocorrer com o passar do tempo e uso prolongado da mesma é que a mangueira pode começar a escapar dos conectores principalmente a dupla do vácuo, pode soltar do pulsador ou até mesmo do distribuidor de vácuo preso junto ao coletor e com isso atrapalhar o processo de ordenha podendo gerar atraso na sessão de ordenha.

Outro fator externo que influencia sobre as mangueiras principalmente nos estados do sul do Brasil e países platinos é o frio, a temperatura baixa atua no PVC podendo enrijecer as mangueiras, principalmente se tiverem com tempo de utilização avançada.

Mangueira do Leite:

As mangueiras de leite são um componente muito importante, é nela que o leite passa após ser extraído do animal, sendo assim é de extrema importância estarmos atento a esse componente, verificando se o mesmo está dentro das especificações e prazo de utilização.

Essa mangueira já possui outras tecnologias em uso podendo variar o material de sua fabricação sendo fabricada em PVC, Silicone e borracha.

Na mangueira fabricada em PVC, o mesmo é especifico para contato com alimentos sendo um PVC especial para sua confecção e possuindo a recomendação de substituição a cada 06 meses, após isso fica difícil manter seu padrão sanitário podendo deixar a mesma enrijecida, quebradiça e com ranhuras internas que podem influenciar no status CBT (Contagem Bacteriana Total).

Isso porque essas mangueiras estão durante a ordenha com leite e após a ordenha as mesmas recebem um protocolo de limpeza, onde possuímos algumas etapas como enxague sem produtos e enxague com produtos químicos com a circulação com detergente alcalino, ácidos e sanitizante que agridem a mangueira e seus componentes.

Imagem interna da mangueira de leite -aumentada:

          

Há novos compostos que nos permitem aplicar novas tecnologias para fabricação de mangueira do leite, como a dupla camada que possui uma resistência maior e mantém pouca luminosidade ao leite. Ela é indicada para utilizar em equipamentos com medidores eletrônicos por infravermelho e tem indicação de utilização de 12 meses.

Ainda é possível utilizar o silicone para confecção desta mangueira onde possuímos uma resistência maior a agressão causada pelos agentes principalmente da lavagem, como detergentes alcalinos e ácidos. Suporta temperatura elevada sem perder suas propriedades e menor tendência ao enrijecimento no frio, possui tempo de utilização recomendável de 12 meses, tendo um custo mais elevado que as demais devido a matéria prima utilizada.

Como saber a vazão da mangueira do leite, qual devo comprar?

As mangueiras de leite possuem diferentes vazões, sendo assim devemos identificar qual é a mangueira adaptável ao meu coletor;

  • Coletores com niple de saída do leite (tampa acrílica) = 16 mm

Utilizar mangueira de leite 14 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 19 mm

Utilizar mangueira de leite 15.5 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

  • Coletores com niple de saído do leite (tampa acrílica) = 21 mm

Utilizar mangueira de leite 19 mm – As paredes são escolha do usuário podendo ser de 5,2 mm ou 5,5 mm.

As mangueiras de 19 mm são utilizadas somente em equipamentos canalizados linha baixa.

Mangueira de Transferência do Leite

São as responsáveis por transferir o leite do sistema de ordenha para o resfriador, ficam conectadas entre o filtro do equipamento e a boca de entrada do leite no tanque resfriador.

Possui dois diâmetros um modelo de 1”polegada e de 1.1/4” polegada possui uma parede mais espessa de 6,5 mm e não possui aramado são inteiramente lisas como as utilizadas nos conjuntos de ordenha, geralmente se recomenda utilizar mangueira de transferência quando a sala do leite estiver entre 9 a 12 metros, superior a essa distancia e interessante utilizar linha de tubo inox.

Devem possuir os mesmos cuidados das demais e se certificar que a mesma esteja integra e limpa.

Portanto as mangueiras são fundamentais e devem ser consideradas no planejamento de manutenção do equipamento, podendo ser um motivo de transtorno e prejuízo, afetando a performance da ordenha.

A parceria com técnicos e empresas de serviços de manutenção dos sistemas de ordenhas são soluções que evitam possíveis transtornos e prejuízos a fazenda, sendo de grande valia a preocupação com o sistema de ordenha, como um implemento fundamental para a fazenda devendo estar em pleno funcionamento.

Lissandro Stefanello Mioso

Médico Veterinário – CRMV-RS 8457

Consultor Técnico